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Lobo versus cronologia DC
(05/01/2003)

No último artigo, havia uma observação que volta-e-meia era feita: “isso está de acordo com a cronologia oficial da DC Comics”. Mas será que essa tal “cronologia” é mesmo tão importante a ponto de precisar ser observada a cada desenvolvimento de uma história?

Em primeiro lugar, vamos conceituar o termo “cronologia” nos quadrinhos. Imagine, por exemplo, alguém que nunca leu uma revista sequer do Batman (e que saiba apenas o básico, ou seja, que a dupla dinâmica é formada por Batman e Robin e ponto final). Agora, coloque essa pessoa para ler uma edição que mostre Asa Noturna dizendo a Batman que, na época em que ele era Robin, não se sentia como um filho para o Homem-Morcego, ao contrário de Jason. Então, aparece Robin e os dois o chamam de Timothy. Essa pessoa vai achar, no mínimo, que eles são esquizofrênicos ou têm múltiplas personalidades. Cronologia, portanto, é a história dos personagens desenvolvida no decorrer dos anos (nesse exemplo, o primeiro Robin virando Asa Norturna, o segundo Robin já morto e o terceiro, sendo Tim Drake - há a suposição de que o leitor já sabe disso tudo).

A partir daí, precisamos entender a importância que os leitores norte-americanos dão à cronologia. Os fãs mais exigentes (ou mais chatos, como preferir), ficam revoltados e mandam centenas de e-mails à editora se, por exemplo, numa edição deste mês o Super-Homem falar que nunca viu Lex Luthor de cuecas, apesar disso ter acontecido num gibi de 1989 em um único quadrinho (claro que isso é só um exemplo).

Ou seja, esse troço de cronologia, que deveria ser apenas uma manutenção de fatos históricos na vida dos personagens (como a morte de alguém próximo ou uma mudança de uniforme), se tornou numa obsessão tão complexa que várias revistas são lançadas apenas para recontar a história de um personagem pela milésima vez. Há até uma série de gibis da DC Comics nos Estados Unidos que trazem o subtítulo “Secret Files”, dedicados exclusivamente à história dos diversos personagens da editora. Se você acha que é exagero, basta dar uma olhadinha na revista “Liga da Justiça” nº 3, de junho de 2002 (da última série de revistas da DC publicadas pela Abril). Nesse gibi, TODAS as páginas são dedicadas a contar TODA a história da Mulher-Maravilha, de seu nascimento às últimas aventuras (ocorridas na edição anterior do mesmo gibi).

Depois de já ter gasto quase a metade do artigo explicando esses conceitos, finalmente direi o que Lobo tem a ver com isso tudo: Tudo! Afinal, o Maioral não se encaixa em princípio nessa tal cronologia, que só serve para deixar seus roteiristas com menos liberdade de criação. Um bom exemplo desse fato é a minissérie “Lobo Está Morto”, na qual o Maioral ganha a imortalidade. Fora dos gibis do próprio Lobo, nunca se abordou diretamente a forma como ele adquiriu a vida eterna, muito menos o fato dele ter matado Papai Noel (em “Lobo versus Papai Noel”, dã!).

No início era diferente. Lobo estava perfeitamente ajustado à cronologia DC quando de sua participação na revista Omega Men, a partir de 1983. Quando ele apareceu contracenando com a Liga da Justiça, em 1988, também se encaixou sem problemas na “personalidade” cômica das histórias (embora já tivessem trocado seu planeta de Velórpia para Czárnia, entre outras características) e fez parte da cronologia, ao “ajudar” Guy Gardner a recuperar sua memória. Finalmente, sua entrada na L.E.G.I.Ã.O., no ano seguinte, foi muito importante para a qualidade das aventuras da equipe de policiais interplanetários.

Lobo participou também de diversas das megassagas que a DC Comics faz quase duas vezes por ano. A primeira em que sua participação influenciou diretamente a história foi “War of the Gods”, de 1991. Sua presença também foi importante no ano seguinte, em “Armageddon: Inferno” e “Eclipso the Darkness Within”. Além disso, o Maioral também foi de extrema importância (de novo) para Guy Gardner, ajudando-o a roubar o anel amarelo de Sinesto (para não alongar muito o artigo, quem quiser saber do que se tratam essas sagas, basta conferir na seção Todas as Revistas).

Apenas por curiosidade, em 1991 foi publicada uma história que anos depois gerou uma das maiores incongruências cronológicas: A participação de Lobo no gibi “Legion of Super-heroes” #24, que fala sobre os heróis do século 30, concluiu com Darkseid o desintegrando totalmente (ou seja, fazendo exatamente a única coisa que teoricamente o mataria, já que seu espírito não teria um corpo para o qual voltar - podemos ver essa seqüência na imagem acima). O problema é que em 1998, durante a saga “DC 1 milhão”, que mostrou os personagens da DC mais de 800 séculos no futuro, Lobo estava lá, vivinho da silva.

A coisa só complicou de verdade para a “cronologia” em 1992, quando Keith Giffen lançou a minissérie “Lobo Está Morto”, trazendo a tal “dádiva da imortalidade”. É bom que se diga, inclusive, que Giffen nunca foi muito chegado a essa história de cronologia, sempre afirmando que esse é um dos fatores que está levando a indústria americana de HQs para o buraco. Ele defende que as histórias sejam desenvolvidas com base na “coerência” e não em uma “cronologia” que torna as histórias incompreensíveis para quem não conhece, muitas vezes, mais de dez anos de história de um único personagem.

Quando surgiu o gibi mensal do Lobo, o roteirista Alan Grant dava cada vez menos importância à cronologia. Tanto que, em nome de boas piadas, ele modificava a personalidade de personagens secundários (e às vezes do próprio Lobo) à vontade. Além disso, em 1995, Lobo saiu oficialmente da L.E.G.I.Ã.O., o que deu mais liberdade a essa “fuga” da cronologia.

O Maioral ainda aparecia em algumas histórias “cronológicas” de outros personagens (como na minissérie “DC versus Marvel” e em poucos gibis do Super-Homem), mas suas história começaram a tender mesmo para o total alheamento à cronologia DC. Em dezembro de 1995, por exemplo, sua revista participou do crossover “A Vingança do Submundo”, mas não teve nenhuma utilidade para o desenvolvimento da trama. Pior foi a saga “Genesis”, de 1997, cuja história no gibi do Maioral sequer tinha coerência com a história do crossover.

Finalmente, em 2000, Lobo foi transformado em adolescente e, em pouco tempo, passou a participar da Justiça Jovem, sendo substituído pelo clone defeituoso Slobo no ano seguinte, já que a DC Comics precisava do Lobo adulto de volta. Curiosamente, foi exatamente essa participação cronológica que se mostrou uma das mais “anti-cronológicas” do Maioral, pois o surgimento de Slobo e a volta à idade adulta a partir de centenas de clones adolescentes foi muito mal elaborada, trazendo diversas contradições (tema abordado no artigo O paradoxo dos clones).

O que não se pode negar é que, para que possam ser realizadas boas histórias de Lobo, tanto faz se há ou não um “respeito” à cronologia. As histórias da L.E.G.I.Ã.O. eram muito boas exatamente por seguirem a cronologia e as minisséries de Keith Giffen eram muito boas exatamente por ignorarem a cronologia. O fundamental é que a DC Comics dê essa liberdade aos roteiristas, nem que encaixem a história como “Túnel do Tempo” (designação, em português, para as histórias “Elseworlds”, ou seja, de realidade alternativa), como fizeram com o gibi “Batman/Lobo”.

Com um novo editor na DC Comics, precisamos agora esperar pelas próximas histórias do personagem (incluindo, logicamente, a tão esperada “Lobo Unbound”, de Keith Giffen) para ver se os “bons tempos” anti-cronológicos do Maioral voltarão.

texto: Lucio Luiz
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