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Como gostar do Lobo?
(04/08/2002)

A partir de agora, todo primeiro domingo de cada mês (quando possível, é claro), estaremos divulgando um artigo no site “Lobo Brasil”. Buscaremos com esses artigos discutir assuntos referentes ao personagem, ao seu desenvolvimento e a tudo o que ele representa (embora falar "abobrinhas" de vez em quando não faça mal a ninguém). Neste primeiro artigo, vamos tratar de um tema bem simples, até bobo, mas de certa forma curioso: Como é possível gostar do Lobo?

Sejamos sinceros: Lobo é um personagem violento, suas histórias são politicamente incorretas, seus atos são reprováveis. Ele representa, enquanto personagem de quadrinhos, tudo aquilo de que tentamos fugir na vida real. Então, como gostar dele? De maneira bem simplista, poderíamos dizer que na própria frase está a explicação. Afinal, Lobo é um personagem de quadrinhos. Ficção. Portanto, aquilo que ele faz nas HQs não tem nada a ver com a vida real.

Mas não é bem assim.

Um personagem tão violento como Lobo ter fãs e simpatizantes não é algo tão incomum atualmente. Não só os quadrinhos como também o cinema, a literatura e outras formas de arte vêm trazendo já há bastante tempo o que se convencionou chamar de anti-heróis.

O estereótipo do herói perfeito que sempre faz tudo pelo seu semelhante não é mais regra. O próprio Batman, que já foi tão “engraçadinho”, agora é soturno, psicótico e violento. Nem em telenovelas encontramos mais os galãs “perfeitos” (com exceção de algumas novelas mexicanas, mas isso não vem ao caso).

O fato de um personagem não ser perfeito faz sentido, já que ninguém é perfeito (ô frase feita!), mas daí a existirem personagens que, além de não serem perfeitos ainda por cima praticamente só têm defeitos, vai uma distância considerável.

Por sinal, ainda pode surgir outra dúvida: Lobo não seria, na realidade, um vilão? A resposta, em princípio, é “não”. O Maioral é um anti-herói. Para dirimir qualquer dúvida quanto ao verdadeiro significado desse termo, podemos recorrer ao nosso velho amigo Aurélio: “Anti-herói: Protagonista de romance, filme, peça dramática etc., a quem faltam as qualidades físicas ou as virtudes que se atribuíam ao herói clássico”. Exatamente o que podemos dizer de Lobo, Hitman, Mulher-Gato, Preacher, Groo, Garfiel, Dilbert, Piratas do Tietê, Homer Simpson, além de milhares de outros exemplos.

Lobo é divertido? Sim. Ele é engraçado por ser violento? Não necessariamente. Há muitas histórias em que Lobo não é exatamente “violento” (no sentido de sair estripando, matando e torturando todo mundo), mas que mesmo assim se torna engraçado pela sua personalidade. Em contrapartida, há diversas histórias em que ele é extremamente violento (no sentido já exemplificado) e isso não tem graça nenhuma por ser gratuito demais.

Como podemos ver, não é tão difícil assim gostar do Lobo. Na verdade o que mais vemos são pessoas que gostam e pessoas que, simplesmente, detestam o personagem. Ainda há aqueles que gostam do Lobo nas histórias solo que são despreocupadas com a cronologia, mas não gostam quando ele está como personagem secundário em outras revistas. Mas até aí, também tem muita gente que “adora” ou “detesta” o Super-Homem, o que não é nenhum mérito.

O que faz a graça nas histórias do Lobo é exatamente sua falta de compromisso em ser alguém correto. Nas mãos de um bom roteirista, de preferência daquele tipo que tem uma veia cínica bem apurada, um personagem como Lobo possui diversas possibilidades no desenvolvimento de histórias críticas à realidade complicada em que vivemos. Ou simplesmente como uma boa maneira de contar piadas.

Ninguém precisa se sentir culpado em gostar do Lobo, nem precisa se preocupar com o fato de poder se tornar uma pessoa desregrada, um sociopata ou um psicopata. Afinal, não há relatos de ninguém que tenha se tornado violento vendo o Jerry dar um tiro de espingarda no focinho do Tom ou vendo o Pica-pau usar um machado para cortar a cabeça do Zeca Urubu.

O importante é gostar de Lobo pelos motivos “corretos”, por ele ser um personagem divertido e por suas histórias serem interessantes. Se alguém gosta de Lobo como exemplo de atitude para a vida real, essa pessoa deveria ser urgentemente internada numa clínica de doentes mentais. A história da medicina mostra que pessoas com tendências violentas só precisam de uma “desculpa” para dar a partida nessa característica. O exemplo mais recente talvez seja a da menina que foi assassinada por colegas que aparentemente se inspiraram num RPG. Nesse caso, o jogo em si não tornou ninguém violento, mas a extrapolação da ficção para a realidade sim.

É possível gostar de Lobo e ainda assim ser uma pessoa normal. Embora nunca tenha sido registrado um único caso de alguém 100% normal que gostasse do Maioral...

texto: Lucio Luiz
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